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FanArt #1

Olá, aqui é Thomas Magno e gostaria de mostrar nossa primeira FanArt!!! \o/

corvo FanArt_editadoSim, esse é um corvo (provavelmente o corvo do norte, de Memórias de um Nobre). Se você não leu essa história ainda, basta clicar em seu título que será levada a uma página com os links de todos os capítulos.

Quanto a essa arte, ela foi feita por Caio Paiva, e enviada no dia 5 deste mesmo mês, no entanto só pude postá-la agora. Gostaria de agradecê-lo muito pela homenagem e dizer que qualquer arte feita e enviada será avaliada e muito provavelmente postada (é necessário avaliar o conteúdo dela antes de postar). Essa que recebemos recentemente é relativamente bem feita e ficou bem bonitinha, o cara desenha bem e ainda parece ter dado um toque de luz e sombra no desenho. Sim, tem alguns riscos soltos que não foram apagados, mas acho que não são falhas, pois o visual com elas ficou bem estiloso (acho que esse era o objetivo). Enfim, ficou f*da!

 

Thomas Magno

FanArt – Capa de Memórias???

Hey, aqui é Thomas Magno, o Dungeon master que lhe escreve. Desta vez o post fala um pouquinho sobre uma imagem que recebi de um amigo.

Memórias de um nobre fanart1

 

Bem, nem sei dizer exatamente se é uma Fanart (pois só me mandaram a imagem, sem comentários), mas é notável que é uma arte com referência à nossa querida saga de Samoht (dããã…). E o que mais me chama atenção é esta negra pena… Quem sabe não seja a negra pena de um corvo? Este que bate a meus umbrais…

Enfim, não devo me perder no ar poético de outras obras. Só gostaria de agradecer ao Arthur Laio por tal imagem que descreve muito bem os ares formais, poéticos e escuros dados à saga Memórias de um Nobre. Ah, quase me esqueço… Havia sim um comentário junto a esta imagem, falava que era uma boa pra ser a capa do livro. Simplesmente genial a sugestão (provável que seja)!

Quanto aos interessados na saga e na história que lhes falo, há uma lista de capítulos logo abaixo na ordem de leitura: um, dois, três e zero (dane-se a ordem dos naturais, né? Mas a ordem deve ser esta mesma: Um, dois, três e Zero. Você vai compreender ao final da leitura)

OBS.: Pra quem não conhece o Arthur, ele é o dono do Casquinha Mista, deixo o link do blog dele aqui (pra quem curte uma comédia mais complexa): http://casquinhamista.wordpress.com/

Obrigado pela leitura e até a próxima! Por favor, dê uma chance a obra que lhe disse, Memórias de um Nobre traz textos profundos. poéticos e enigmáticos que valem muito a pena! 😀

Thomas Magno

 

 

A última batalha das “Memórias” – Arte


Samoht6Eis uma pequena arte que ilustra a batalha de Samoht Ongam com o Corvo do Norte em nossa Saga. Bem… Hoje passei aqui somente para deixar este desenho com vocês (pois gostei muito dele), “só isso, e nada mais”. A cena deste desenho é bem curiosa por causa da expressão indiferente no rosto do nobre, mesmo tendo se ferido muito em batalha.  Abaixo segue o mesmo desenho, só que com uns efeitos de sobra e contraste um pouco mais fortes.
Samoht7

Bem, por hoje é só pessoal, muito obrigado por visitarem o OAA. Não se esqueçam de dar uma curtida na nossa page no facebook
https://www.facebook.com/ourageofadventure

 

Os Corvos

os cinco corvos noite2Olá, sou Thomas Magno, o mestre que lhe escreve este post! Eu deixo aqui a lista de capítulos da série Memórias de um Nobre (em ordem), para os que ainda não acompanham ou desejam reler.

Por mais bizarro que pareça, o capítulo zero deve ser lido por último. A ordem é: Cap. I, Cap. II, Cap. III e, por último mas não menos importante… O Cap. Zero. Ele é o “zero” pq conta o passado de Samoht, mas deve ser lido por último pois dá muitos “spoilers”! Quem já leu deve entender o por quê.

Thomas Magno

Memórias de um Nobre

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Capítulo III – A PENA DO CORVO

Cap. Anterior

Quando o nobre Samoht ouviu algo incomum na janela de seu quarto, ele logo levantou da cama olhando fixamente para o vitral. No entanto, ele nada viu, nada mais escutou. Decidido então a investigar o ruído que rompera seu sono, Samoht guardou num bolso de sua calça a chave de seu novo quarto.

Ao deixar as escuras paredes daquelas ruínas, que ele chamou de lar, ele olhou bem para a paisagem que o cercava. A frente daquele castelo em ruínas haviam campos, aos fundos um jardim morto e ao lado passava um rio pobre. Até neste fim de mundo alguém vem me atormentar, disse ele com ar de decepção. Ao observar, do lado de fora, a janela de seu quarto, uma ossada o esperava junto a um monte de cinzas e roupas queimadas.

-Mas… Que isto significa?- Perguntou ele a si mesmo. Curiosamente ele recebeu uma resposta inesperada.

– Tu vais morrer – Foi dito por uma fonte desconhecida… perto dele, estava somente o corvo que o seguia, logo atrás.

-Não tentes me intimidar! Estas ruínas são meu oblivion, são minhas e de ninguém mais!- Respondeu ao além, a um receptor desconhecido.

corvo1

Após isso, andou pelos campos nas proximidades de seu castelo até encontrar um pomar, que lhe forneceu o alimento do dia. Recolheu as maçãs numa cesta e as levou para as ruínas do castelo. Quando pela entrada do castelo ele passou, sentiu-se tonto… ele logo caiu ao chão com a visão embaçada e dificuldades para respirar. Desesperado, ele segurou fortemente seu peito e, ao olhar para sua mão, observou que estava impregnada por um pó de cor leve e pouco perceptível. Passou sua outra mão em suas vestes e percebeu que também se impregnara de um pó desconhecido.

-Enve… envenenadas estavam estas vestes… – Disse ele, tirando as roupas sujas de veneno, segundos antes de perder a consciência.

No entanto, não foi desta vez que Samoht foi beijado pela morte. Horas depois ele acordou com o corpo dolorido e notou, enquanto abria os olhos, um perfil humano em sua frente.

– Como tu consegues desviar tanto da morte?- Perguntou o ser humanoide andando em sua direção.

-Quem…Quem és tu?- Samoht perguntou, enquanto se levantava com esforço e terminava de tirar as roupas envenenadas.

-Sou o corvo que te segue, o Corvo do Norte… Naquela noite, fui eu que alterei o seu experimento de alquimia, eu botei fogo no castelo! Fui eu que salvei seu irmão e o criei para te matar… Eu envenenei estas vestes e fiz com que as encontrasse! Eu sou teu corvo, tua noite e teu fim!

– Mas, como pode? Disse o nobre samoht, reconstituindo suas energias e sacando o punhal guardado nas roupas que havia tirado.

– Reza a lenda que nesta região há uma família de nobres alquimistas… Em suas veias corre o sangue sagrado de magos anciões e, aquele que extinguir toda esta linhagem e beber o sangue de um deles tornar-se-á imortal.

Samoht finalmente recobrou sua energia. E olhava com ódio para figura humanoide a sua frente. Era um ser bípede e macérrimo, com seu corpo nú e coberto algumas poucas penas… Em sua face, um sorriso mórbido que lembrava a besta na qual seu irmão se transformara. Assustado, Samoht apontou o punhal a ele.

-Não seja tolo!- Respondeu o Corvo do Norte, abrindo seus braços. Entre o magro tronco e os braços daquela criatura, havia uma estrutura membranosa cheia de penas que se assemelhavam a asas.

A criatura voou na direção de Samoht fazendo ruídos animalescos com sua garganta. O nobre tentou acertá-lo com o punhal, mas com apenas com um golpe da criatura, Samoht foi jogado contra a parede atrás dele. O punhal caiu de sua mão… Com suas unhas, aquele ser reabriu as feridas no corpo de Samoht fazendo-o sangrar e gritar.

corvo do norte1

– Pare, criatura infernal!- Gritou o velho que outrora conduziu Samoht a estas terras. Ele chegou pela porta da frente segurando uma espada curta e a apontou para aquela criatura que se dizia “Corvo do Norte”.

– Como ousas trair-me?- perguntou o Corvo, soltando o retalhado corpo de Samoht ao chão.

-Voltei aqui para ver como ele estava o nobre, mas eu o encontro quase morto em suas mãos. Quando me pagou para trazê-lo aqui não me disseste que o mataria!

A criatura andou, na direção do velho… Este logo perdeu a coragem que teve ao desafiar o Corvo do Norte. Enquanto isso Samoht arrastou-se para pegar o punhal que deixara cair. O velho, amedrontado, abaixou vagarosamente a lâmina que segurava, mas o Corvo do Norte não o perdoou, com um único chute o fez voar e cair a metros de distância fora do castelo, nos campos que o cercava.

Quando o Corvo do Norte virou-se para trás notou que sua presa havia escapado, mas ouviu um sussurro ao pé de seu ouvido dizendo: “A terra será teu berço eterno, Corvo!” e sentiu uma lâmina congelante perfurar sua barriga… Era a lâmina do punhal de Samoht atravessando suas carnes e dando a ele o descanso eterno da morte.

– Eu poderia ter sido imortal…- Disse a criatura momentos antes de falecer. Quando o coração do Corvo do Norte finalmente parou de bater, seus irmão corvos invadiram o castelo quebrando as janelas e agrupando-se ao redor do corpo, chorando juntos a morte daquela criatura…

Samoht andou poucos passos na direção do velho e logo caiu inconsciente. Ambos estavam muito feridos, mas o velho conseguiu levantar-se e encontrar o nobre. Samoht estava quase partindo para outra vida, ele sangrava muito mais que da última vez. A morte se aproximava do nobre e trazia consigo uma corrente de ar frio que soprava naqueles campos umbrais.

O velho correu para sua carroça em busca de utensílios que pudessem ajudá-lo. Quando ele retornou e encontrou o corpo de Samoht, utilizou a bebida para limpar suas feridas e pressionou os trapos de tecido contra elas para tentar estancar o sangramento.

-Desculpa-me, não sabia do que aquele ser era capaz… Apenas achei que fosse um bom negócio! – Disse o velho, mas Samoht, inconsciente, não reagiu.

Horas se passaram e Samoht acordou na cama de um hospital em sua cidade, cercado por colegas da Academia Arcana. Quando os viu, todos desejaram saúde e lhe perguntaram o que ouve.

-Ah… Eu… Eu não me lembro- Mentiu o jovem nobre.

Quando todos se foram e Samoht se recuperou, ele recebeu uma carta do velho que o levara na carroça. O nobre abriu a carta e leu: “Depois de levar-te ao hospital, retornei mais uma vez ao castelo e encontrei alguns instrumentos de alquimia (em mal estado, se me permite dizer) e, no subsolo, encontrei um quadro de uma família de nobres. Eu trouxe estes objetos comigo e os guardei em tua casa” . Quando chegou no que sobrou de sua casa (queimada por um incêndio), sentiu um ar familiar naqueles aparelhos de alquimia… E mais, quando olhou o quadro dito na carta, ele percebeu que ele estava lá! Era um quadro de sua família que, por estar no subsolo, não foi queimado. Aquelas ruínas na qual Samoht se escondeu foi, um dia, sua casa.

Samoht recebeu uma pequena quantia em dinheiro fornecida por seus colegas, e foi convidado a morar junto a um deles. O jovem nobre estava emocionado com a comoção da Academia Arcana com o que houve, isto é, com o incêndio de sua casa e o ataque que sofreu. Para a surpresa do nobre, ele pôde confiar nos seus parceiros de classe…

QUATRO ANOS DEPOIS: Samoht se forma e se torna o mais prestigiado estudante de magia antiga do país. A alquimia, matemática, filosofia antiga e a metafísica lhe renderam-lhe o título de “Luz Arcana”. Junto a seus colegas de classe ele funda uma sociedade secreta chamada “Samoehtia” e, com o passar dos anos, Samoht Ongam tornou-se uma lenda.

FIM

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Pois é, este é o último capítulo da série “Memórias de um Nobre”. O nosso nobre Samoht enfim pôde descansar estudar em paz e, até onde se sabe, não foi atacado por criatura alguma. É com isso que me despeço do personagem Samoht Ongam… Foi muito bom escrever tuas histórias, jovem nobre…

Eu criei uma categoria aqui no blog chamada “Fan Art”. Caso algum leitor desenhista se interesse, mande para o meu e-mail:  thomasalexsilva@gmail.com (vou receber com prazer a sua contribuição, postarei aqui com certeza!)

OBS: Não se esqueça de assinar o desenho :3

Até a próxima caros leitores, se gostaram do conteúdo comentem aí embaixo e divulgue este blog e a série “Memórias de um Nobre”.

Thomas Magno

 

Memórias de um Nobre

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Capítulo II – RUÍNAS GÉLIDAS

Cap. Anterior

Samoht, caído ao chão enquanto sangrava, esperava seu fim fúnebre. Olhava a chama na solidão daquela rua, quando um corvo descendeu do céu e pousou  ao seu lado. O corvo negro o observou, o encarou e, de alguma forma o encantou. As penas negras da ave se camuflavam pela penumbra da noite, estava lá sem se fazer ver. O corvo vivia despercebido… Então, diante do fogo, ele se indagou: Oh, vida de corvo… Será possível vivê-la algum dia?

E então, a ideia de viver lhe pareceu mais áurea do que a morte que o aguardava. Conformou-se que poderia deixar de lado tudo que construiu na Academia Arcana e viver entre as sombras, não na penumbra da sociedade mas na própria umbra de oblivion e se fazer, pela eternidade, esquecido. O corvo o olhou pela última vez e voou ao norte.

Com a pouca energia que lhe sobrava, ele se ergueu sustentando-se com um cabo de madeira e, mancando, tentou dar início a uma fuga de sua antiga vida na Academia Arcana. Um velho de aparência anciã dirigia uma carroça pela rua quando o viu.
-Oh, estás bem filho?- Perguntou ele assustado com tanto sangue no retalhado corpo de Samoht.

-Leva-me… Leva-me para  as terras mais distantes e solitárias que conheces…- Respondeu ele, cabisbaixo, com sua voz arrastada arranhando garganta.

O velho estava assutado mas não deixou de fazer o pedido a ele implorado, estendeu a mão e a ajudou a entrar na carroça. O velho estava pensativo e não deu a ordem de partida aos cavalos.

Mexa-se!- Gritou Samoht, seguido de um gemido de dor pelo esforço da voz.

Assim foi feito, a carroça o levou para fora da cidade e adentrou numa estrada que ia em direção norte. O velho nada disse, nada perguntou, apenas obedeceu o pedido de um moribundo e o guiou para longe, tendo como fim da viagem  uma gélida ruína de um castelo queimado. A carroça parou em frente a tal ruína, cercada por campos cinzas e infernais. Samoht, ao tentar descer, caiu da carroça na grama escura do campo. O velho imediatamente desceu e tentou ajudá-lo preocupado. No entanto Samoht o impediu estendendo a mão aberta em sua direção… Diante do nobre, o velho observava aquela mão melada de sangue e cheia de cortes  fazendo voar em sua imaginação um universo de suspeitas. Ele então rasgou a manga da camisa branca que vestia e a usou para estancar o sangramento do nobre.

– Espero que fique bem, jovem. – Disse o ancião, entrando na carroça e o abandonando.

Naqueles campos, o nobre Samoht arrastou seu corpo até atingir o muro das ruínas do castelo. Escorou-se sobre as gélidas pedras do muro e olhou o céu até que, milagrosamente, deu aos seus olhos a graça de dormir e sonhar. Por um segundo, antes de ser tomado pelo sono, Samoht sentiu um profundo medo de nunca mais acordar… Ele queria ser esquecido mas a coragem de morrer não era uma de suas virtudes.

Ruínas de um castelo gélido e negro

Ao nascer do sol, a claridade fez despertar Samoht. Com seu corpo dolorido, ele se levantou, tirou sua camisa e com poucos passos dirigiu-se a um pobre rio da região, próximo ao castelo. Nas margens, Samoht apoiou suas vestes que cheiravam a ferro devido ao sangue nelas impregnado… Então entrou nas águas do rio que o cobriam até a cintura e lavou suas feridas. No fundo de uma delas, ele notou um dente encravado na carne de seu braço. O jovem nobre o retirou com um pouco de sofrimento e, enquanto este escorregava por entre suas carnes para ser arrançado, acompanhado era por uma dor aguda que o fisgava…. Por fim, Samoht guardou o dente num bolso de sua roupa que estava jogada na margem do rio.

Com o término de seu banho, o nobre catou sua roupa e adentrou no castelo parcialmente desconstruído pelo tempo. Samoht andou nos interiores deste negro lugar e ao sair dele, aos fundos observou um amplo jardim. Tal jardim era escuro e sem vida por não contrastar sua cor com a parede cinza  do castelo e com as negras penas do corvo que novamente aparecia a Samoht. O corvo estava em repouso encima de uma grande caixa de cor cúprica no centro do jardim. Enquanto olhava o corvo, o jovem nobre compôs alguns pobres versos que lhe vieram a mente:

“Fez-me vir até aqui, diga-me que quer
Ante as sombras da rua, estavas lá!
Não sei quem és, corvo ou ave qualquer
Tanto eu queria aqui sozinho ficar

 Até na umbra da minha quase morte 
Sem dúvida guarda nosso temor,
Mas antes encontro um corvo, ao norte
Ah, que quer de mim? responda por favor!

 Grande é o azar, até aqui tu vens ver dor?
Oh, nem do ‘oblivion’ mereço viver
Raios! Deixa-me, corvo seguidor!

 …Isso que aqui tu traz, que é? Diga já
Com isso venha a mim, venha me dizer…
Oh, neste tesouro… Que nele terá?”

Ao corvo que comigo sempre está
Samoht Ongam, 10 de março de 1820

Samoht então se aproximou do corvo, eles se observavam reciprocamente em curiosidade. Mostre-me que está dentro desta caixa, corvo maldito… Disse ele mais uma vez, mas a ave permaneceu como estava. Após alguns segundos, ele abriu suas asas, como se quisesse voar, mas deu apenas um pequeno salto para o chão, saindo de cima da caixa. Eis que um sussurro lhe diz: Tu estás de volta…

Após isso, nada mais, a voz veio do além sem direção nem sentido perceptível. Samoht fingiu não tê-la ouvido e continuou a caminhar em passos lentos em direção a caixa. Quando nela tocou, sentiu como se retrocedesse anos em seu passado, mas a realidade era que ele não conhecia tal caixa e nem tais ruínas em que estava… Ele sentia um sensação paradoxal em que ele nada lá conhecia mas mesmo assim sentia um ar familiar. Será essa a sensação da loucura? Perguntou ele ao corvo, que nada respondeu.

Quando enfim abriu a caixa, lá encontrou uma chave dourada, sem nenhuma inscrição que a identificasse. De volta aos interiores do castelo, com a chave em sua mão, Samoht percebeu uma porta trancada. Com aquela chave, abri-la não foi um desafio… A porta dava entrada a um quarto um pouco escuro, mas confortável. Em suas laterais viam-se arcos romanos. Atrás dos arcos da direita, uma cama, dos da esquerda, um baú.

castelo negro interiores

Ele aproximou-se do baú a sua esquerda e logo, com um pouco de esforço, conseguiu abri-lo. Dentro dele, uma cartola negra, roupas formais e um monóculo dourado. Haha, que isso significa? Perguntou ele, rindo do que encontrara. Samoht então tirou a roupa suja de sangue que vestia e trajou aquelas estranhas roupas que encontrara. Pelo menos estas não cheiram e ferro, concluiu Samoht ao compará-las com suas antigas vestes. Quando novamente averiguou o baú, encontrou uma corrente de ferro, logo ele retirou aquele dente que guardava no bolso de suas antigas roupas e o prendeu numa argola da corrente fazendo um colar. Com este e o antigo colar de lua, que pertencia a seu irmão, totalizaram-se duais “joias” em seu pescoço. No entanto estes artefatos eram dignos de más lembranças que o encorajavam a isolar-se naquele lugar… Se o nobre Samoht retornasse a cidade, não teria nada lá, sua casa foi queimada junto com seu dinheiro e ele ainda poderia ser preso por causar aquele último incêndio se janeladescobrissem que ele foi o responsável… Nem mesmo a Academia Arcana o aceitaria, uma vez que ele não tem mais como pagar seus estudos. Sou um nobre falido, concluiu ele.

Samoht deitou-se na cama pensativo, quando ouviu então, um barulho em sua janela… Como se novamente não pudesse ficar sozinho, como se novamente algo, alguém ou alguma criatura o procurasse. Somente isso, nada mais…

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Esse foi o segundo capítulo da série “Memórias de um Nobre”, uma história com leves toques de fantasia e steampunk. Desta vez, Samoht encontrou um novo lar e um novo amigo que o acompanha, mas apesar de tudo isso ainda não conseguiu tirar seu irmão de sua mente. A respeito do poema escrito por Samoht, me desculpo por não conseguir compor melhor, sou um escritor, não um poeta (pelo menos não um poeta experiente). Samoht, por outro lado, conhecia muito bem a métrica dos versos, milhares de rimas dentre outros talentos… Eu até tentei compor um soneto decassílabo em todos os versos mas não ficou tão bom, Samoht faria melhor.

Se você gostou da história divulgue o blog, comente o que acha da atual situação do nosso nobre aventureiro ou o que acha que acontecerá com ele.

Thomas Magno